sa-ico-1.gif - 683 BytesHome

Sumaúma

A Sumaúma e o Haicai:

Ceiba pentandra
(Bombacaceae)


A Sumaúma ocorre nas Américas, Africa e Ásia. Foi na Ásia que o haicai originou-se, difundindo-se pelo mundo. A sumaúma espalhou-se similarmente, mas das Américas. Para o nosso grêmio, ela representa a força do haicai em nossa região e seus frutos, com suas sementes emplumadas, simbolizam os haicais em si. Como suas sementes, usadas para encher travesseiros e colchões, nosso trabalho é usado para ilustrar nossa criação para a posteridade. A sumaúma encanta com suas lendas e com seu espirito invocado pelos pajés em rituais de cura. É considerada o telefone da floresta: batendo em suas sapopemas faz com que elas ecoem, anunciando a presença de alguém em seu tronco. Dessa relação atrativa e espiritual fazemos uma ligação estreita com os objetivos e fundamentos do nosso grêmio.

Nomes Comuns:

Africa Francesa: Le Formager, Le Faux-Cotonnier, Le Kapokier
Bolivia: Toborachio
Brasil: Sumaúma, Sumaúma da várzea, Sumaumeira-de-macaco, Samaúma (Amazonas).
Colombia: Ceiba, Ceiba de lana, Ceiba de garsón, Ceiba, Ceiba de bruja, Cibonga, Cartagenera, Palosanto, Lana bongo, Yague, Fromager, Majumba, Ceibo
Commercial Spanish: Ceiba, Ceibo
Cuba, Peru: Ceibo, Ceyba
French Guiana: Fromager, Maho coton, Kapokier, Bois coton
Great-Britain: Corkwood, Kapok-tree, Silk-cotton-tree
Guiana: Kumaka, Silk cotton
Haiti (Guadalupe): Mapou
Java: Kapok
Mexico: Ceibo, Ceyba, Pochote, Ochota
Nicaragua: Ceibon
Oeste Africano: Silk-cotton-tree
Panama: Longo, Cotton-tree
Suriname: Kankantri
Venezuela: Ceiba yuca


Características gerais da sumaúma:

A sumaumeira é uma árvore típica da várzea onde atinge um porte gigantesco de 45-50 m de altura por 1,5-2 m de diâmetro, crescendo muito rápido e desenvolvendo características sapopemas. Em terra firme, atinge menor porte, embora seja também volumosa. Quando jovem, seus galhos e tronco possuem grossos espinhos cônicos e solitários. As folhas são alternas, com 5-7 folíolos, muitas vezes denteados nas beiras. Devido sua grande exigência de luz, a regeneração natural da planta não é abundante, ainda que ela gere um grande número de sementes. A reprodução natural da espécie é melhor sucedida em terrenos agrícolas abandonados.

As flores solitárias ou agrupadas são róseo-claras, com rnanchas púrpuras, externamente cobertas de pelos brancos, com menos pelos internamente, soldados na base do tubo estaminal.

O fruto é uma cápsula obovoide ou elipsoidal, 5 a 7 cm de diâmetro, 8 a 16 cm de comprimento, contendo 120 a 175 sementes, cada uma envolta por algodão branco ou acizentado, acetinado, fibroso, leve e elástico.

A fenologia da sumaumeira varia geograficamente e de acordo com o clima. Na Amazônia, em geral, a árvore floresce de agosto a setembro, quando está quase sem folhagem (é polinizada por morcegos), e os frutos amadurecem de outubro a novembro. Na estação experimental de Curua-Una, a floração ocorre de junho a agosto e a frutificação de setembro a outubro.

Área de ocorrência

A sumaúma é muito difundida pelo mundo e é estritamente tropical. É originária da América Tropical e ocorre na África Ocidental e no Sudeste da Ásia, coincidindo com as mais significativas áreas de florestas tropicais úmidas do mundo. Na Amazônia é mais comum ao longo das várzeas de água branca e na terra firme adjacente aos Rios Solimões, Madeira, Purus e Juruá, menos comum ao longo das bacias de águas pretas e claras e na terra firme adjacente aos Rios Tapajós, Xingu, Tocantins e Negro.


Habitat

É uma espécie da floresta aberta, abundante nas florestas tropicais e pantanosas e nas margens dos rios de águas "barrentas", e em capoeiras de várzea dos mesmos rios. Cresce também na terra firme com solo argiloso fértil.

Usos

A madeira é o principal uso da Sumaúma, atualmente. É uma madeira leve (0,30 a 0,37 g/cm3), de cor esbranquiçada quando fresca, que vai mudando para castanho e cinza quando madura, e possui uma grã regular. Possui também uma textura média, cheiro e gosto indistintos. É usada para fazer caixas, brinquedos, caixotes de embalagem, jangadas, celulose, palitos, fósforos e canoas.

Seu mais importante uso secundário é o aproveitamento da paina que envolve as sementes, conhecida como "kapok", utilizada como enchimento para colchões, travesseiros, salva-vidas (por ser impermeável à umidade). Duzentos frutos fornecem 1 quilo de kapok. Os frutos também servem de alimento para animais.

A semente é composta de 40% de casca, 60% de amêndoa com 25% de óleo de cor verde amarela, de gosto e cheiro agradáveis, similar ao óleo de algodão, inclusive quimicamente. Em repouso, o óleo separa gorduras sólidas de estearina, tal como o de algodão. É usado na alimentação, sabões, lubrificantes, iluminação, sendo eficaz contra ferrugem. A torta das sementes contém 26% de proteínas, 7% de óleo, 23% de carboidratos, 6% de cinzas e 14% de água, e pode ser usada como ração para animais ou adubo.

Outro uso secundário da sumaúma é o medicinal. Sua seiva é usada para curar a conjuntivite. A decocção da casca é diurética e é usada para curar a hidropsia do abdomem e malária. Alguns componentes químicos obtidos da casca das raízes mostram moderada atividade contra dois tipos de bactérias (Bacillus subtilis e Staphylococcus aureus) e dois fungos (Aspergillus niger e Candida albicans). As raízes descobertas nas margens dos riachos secos dão excelente água potável no verão.

Este texto foi compilado de:

  • Arthur A. Loureiro, Marlene F. da Silva, Jurandyr da Cruz Alencar. 1979. Essências Madeireiras da Amazônia. Volume II. Instituto Nacional de Pesquisas da Amazonia, Manaus, Amazonas, Brasil.

  • Paulo de Tarso Barbosa Sampaio. 1999. Sumaúma, Ceiba pentandra. In: Jason W. Clay, Paulo de Tarso Barbosa Sampaio, Charles R. Clement (Eds.). Biodiversidade Amazônica. Exemplos e estratégias de utilização. Serviço Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresa-SEBRAE, Manaus, Amazonas, Brasil.

  • Revised by Charles R. Clement, Biólogo e Pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA.