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Receitas em PDF!

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Introdução

"O Sabor do Amazonas" está na caldeirada de peixe, na carne de tartaruga, no pirão de farinha de mandioca, na pimenta, nas frutas nativas. Já o apreciamos só pelo nome e ainda mais quando preparamos suas receitas. A nossa floresta, em sua exuberância ou simplicidade, nos fornece os frutos, e seus rios, pequenos ou colossais, o peixe nosso de cada dia. O jaraqui, o peixe mais conhecido da região, já virou adágio popular, confirmando a tradição indígena, mostrando o carinho acolhedor do amazonense pelos visitantes da cidade: “comeu jaraqui, não sai mais daqui”.

A cozinha amazonense é originária da influência indígena. Apesar da chegada dos portugueses, franceses, espanhóis, africanos e até dos árabes, desde a época da colonização do Amazonas no final do século XVII, nossos povos continuaram com sua tradição de consumir alimentos e bebidas da própria região. A mandioca, diferente dos seus originais consumidores, resistiu à dizimação e influências externas, e também não sofreu alterações em seu processamento -- ainda hoje seus produtos derivados são amplamente consumidos. Porém, outros alimentos verdadeiramente típicos, como o peixe-boi, com o qual se fazia a mixira, e a caça, foram aos poucos ficando mais raros por causa do caráter predatório. Por essa razão, omitimos aqui suas receitas. Apesar dos criatórios atuais, a caça ainda não está pronta para o consumo em massa, exceto para os quelônios. O sabor das comidas africanas foi também incorporado às nossas tradições e hoje degustamos de pratos temperados com dendê e outras especiarias. Com a chegada de migrantes nordestinos no período áureo da borracha, alguns de seus hábitos alimentares foram bem aceitos pelo nosso caboclo, assim como nossos hábitos foram a eles repassados. Desde então, a carne seca se tornou um prato muito apreciado pela população. Com a criaçao da Zona Franca, os sulistas também trouxeram sua contribuição, juntando ao sabor do peixe o das hortaliças.

Este livro inclui, portanto, a simplicidade dos pratos típicos à base de peixes, algumas aves e quelônios, e também receitas introduzidas por outras culturas. Seguem as guarnições, as receitas de doces e bebidas, explorando sempre o potencial de nossos alimentos com um leve toque de sofisticação, apimentado com um pouco da influência afro-baiana.

Ficaram para trás os anos em que tomávamos o leite puro de vaca comprado na porta de nossa casa. Foram tempos quando nossas mães eram as artesãs da cozinha e chamavam para a mesa as crianças e maridos com o cheiro irresistível do tambaqui assado, do pato guisado e até mesmo das tartarugadas aos domingos - naqueles dias, tão abundantes nos mercados. Os doces de caju ou banana, os sucos e os mingaus completavam a delícia da cozinha cabocla. A era dos microondas e dos congelados foi mudando aos poucos esse ritual de cozinhar à maneira de nossos avós, porém, pretendemos reacender a chama dos fogões antigos neste livro, ao resgatar os costumes de nossos ancestrais, mesmo que seja de uma forma prática e moderna.

O Livro O Sabor do Amazonas é da autoria de três mulheres amazonenses: Rosa Clement, Martha Falcão e Zezé Pio de Souza. É um livro de culinária regional amazonense, contendo não somente receitas tradicionais mas também outras novidades e receitas do dia a dia. São os peixes e as frutas regionais que dão o toque exótico a essas receitas e libertam a nossa criatividade para apresentar novos pratos.

É importante mencionar que O Sabor do Amazonas é um livro prático e ideal para quem aprecia cozinhar, conhecer ou colecionar receitas de outras regiões. Leve-o como lembrança ou presente, com receitas que você pode fazer para o deleite de sua família e amigos. Não é somente o sabor que você leva em suas mãos ou na bagagem, mas também a história de uma região que lhe prende não só pelo coração mas também pelo estômago. O Sabor do Amazonas está pronto para acompanhar você.

O Sabor do Amazonas (Revisado)
Rosa Clement

  Quando tem festa na mata,
  Pirarucu à Casaca
  vem com receita caseira.
  O tambaqui vem da brasa
  muito bem acompanhado.
  Sardinhas chegam cobertas
  com folha de bananeira.

  A carne assada, se fica,
  aparece à Roupa Velha,
  e no fogo, o mocotó
  vai logo para o feijão,
  mas a calma tartaruga
  vai devagar, com cuidado
  lembrando os tempos da avó.

  No grito chega a farinha
  que não embola e embala
  junto com boa pimenta
  o peixe na caldeirada.
  Com o calor dessas duas
  o manauara se agita
  e aí a festa esquenta.

  Já cedo o pé-de-moleque
  surge no forno de barro,
  e enquanto a conversa rola,
  o bolo de macaxeira
  chega, some e dá a vez
  ao bolo podre que espera
  com pinta de boa bola.

  Mas rio de terra verde
  é feito mesmo é pra peixe,
  e mostrar em sua herança
  a vida do morador.
  Tem tudo para uma festa
  de onde convidados levam
  seu sabor como lembrança.