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Tourada em Madrid

No ar mortífero da arena
eu quis ir para longe do touro,
das flechas fincadas em seu dorso,
da fatalidade das pontas
sumidas em suas carnes.

Quis ir para longe, bem longe
da multidão sanguissedenta,
de seus gritos de olé fúnebre,
de suas foices brilhantes
a espalhar cheiro de morte.

Quis ir para longe do sangue
que manchava a areia triste
ao passo de frágil bailado
de um toureiro implacável.

Quis poder salvar o touro,
torcer por sua vitória
por ser o único valente,
mas eu apenas corria
para longe de sua bravura.

  

Seção de Poemas, © (07/07/2005) Rosa Clement