Riozinho
Os outros rios não eram mornos como aquele.
Faltava neles a mansidão daquelas águas,
os risos largos que seguiam pulos de crianças.
Faltavam ainda nossas canoas à sua beira,
os galhos retos usados como trampolins
e o desejo de ficar porque era doce estar ali.
Ali, onde as mulheres vinham lavar a roupa
que o sol glorioso secava no capim,
nossos sonhos navegavam entre peixes.
Os outros rios não contavam nossas histórias
com o sotaque nativo que reconhecíamos,
nem se agasalhavam dentro do peito assim.