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Relógio Parado

Sem tic, sem tac, o relógio
amanhece triste, ausente de urgência,
do pulsar do presente.
Transborda de seus estáticos ponteiros
um alheamento imprevisto
por um tempo que continua.

Enigmático engenho
abraça meu pulso, sem voltas,
livre da rotina de decifrar
quando é preciso ir, agir,
quando é preciso voltar,
quando é possível sonhar.

Parado num minuto do passado,
o relógio espera por socorro,
por um relojoeiro que lhe devolva
a delicada sonoridade do tic, do tac,
o giro, as horas, a glória.

  

Seção de Poemas, © (16/09/2006) Rosa Clement