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O Prédio

No fino prédio da avenida,
quanta transformação.
A vida se esconde no subir e descer
de um transparente elevador.
De vez em quando alguém
ganha máscara de cera,
afinidade com sintéticos.

Entre paredes das alturas
colorem-se amenidades,
escasseiam-se palavras
destacam-se propagandas.
Cortam-se parentescos
com terra ou com árvores,
esquecem-se da forma da jaqueira,
do perfume do jasmim.

Às vezes o meio pode ser fatal.
Já passam por mim pessoas
cujas caras geométricas
mostram a textura do cimento.

  

Seção de Poemas, © Rosa Clement (22/05/05)