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Se Eu Fosse para Pasárgada I

Eu iria ter certeza
de algo que sempre quis:
se em tão remoto reinado
eu seria mais feliz.

Não iria ser tão fácil
viver sem modernidade,
longe da tecnologia,
dos circuitos da cidade.

Mas teria meus amigos
e o tocar de um violão,
sem novelas, bigbrothers,
longe da televisão.

Sob a sombra das palmeiras
deitaria em frente ao mar
sem ouvir nenhum murmúrio
ou toque de celular.

Por longas horas leria
um romance de Rosset
e nem sequer pensaria
em e-mails e internet.

Sairia pelas praças,
iria ler o jornal
sem reportagens de crime
ou de notícia fatal.

Quanta felicidade
ao desfrutar facilmente
da beleza, do ar puro
presente no ambiente.

Lá eu me divertiria
em teatros de comédias
com um povo que não curte
brigas, fofocas, tragédias.

Iria ser fascinante
ver políticos honestos
trabalhando, dando duro
por seus salários modestos.

Só perguntaria ao rei
como que ele conseguia
manter um lugar perfeito,
livre de monotonia.

Se eu Fosse Para Pasárgada II

Se eu fosse para Pasárgada
talvez nunca visse o rei,
mas eu sei que dormiria
em uma cama king-size
Se eu fosse para Pasárgada.

Se eu fosse para Pasárgada,
eu seria tão feliz.
Lá na história real
eu seria uma parente
de algum nobre bem cotado
ou de um plebeu valente
e ficaria contente
de tirar foto a seu lado.

E como me divertiria
nos dias de carnaval
no papel de uma princesa
até o dia clarear.
Tomaria o trem das onze!
E quando chegasse em casa
iria dormir mais cedo
por estar muito cansada,
sem nem sequer duvidar
de que no dia seguinte
ainda teria emprego.
Vou-me embora pra Pasárgada.

Dizem que em Pasárgada
não costumam decidir
no jogo cara e coroa
para dar ajuda ao povo.
Tem comida natural
Tem água pura à vontade,
saneamento básico
para ninguém reclamar.

E se eu me aborrecesse
por motivo de injustiça
e se eu apenas sonhasse
que poderia vencer
– Lá eu estaria certa –
Teria um sábio na corte
só para me defender
se eu fosse para Pasárgada.

  

Seção de Poemas, ©2009 Rosa Clement