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Parada de Ônibus

O ônibus vem, não vem.
Na parada, tudo é parado,
o riso é escasso,
os olhares, pálidos de cansaços.
Seus donos
fazem páreos com a auto-solidão,
se ocupam em contemplar coisas
externas e internas.
Motorista, cobrador, passageiro--
João, Maria, José,
que importa?
É gente que vai longe,
gente que guarda um endereço,
partilha espaço,
entende de equilíbrio.
Multidão indiferente e unida,
movida a combustível
do suor contínuo das horas.
Não, não é gente parada
essa gente da parada.

  

Seção de Poemas, © (13/08/2005) Rosa Clement