poemas poemas

O Pão de Nem Todo Dia

O pão rasgado com a mão,
sem lembrança de manteiga
e esquecido de geléia
é ainda saboroso.
Nem sequer entra na cesta
nessa hora de alegria
e no ambiente cintila
a luz que bate nos olhos.
É um pão que fica doce
ao ir sumindo e sumindo,
molhado no café preto,
desmanchando-se nas bocas.
Nenhuma delas reclama
e tampouco fala nada
e a que lembrar agradece.
Fica para os canecos
o ritmo mais sonoro
no contato com o cimento.
Uma brisa entra ligeira
e leva os farelinhos
para os pássaros curiosos.

  

Seção de Poemas, © (13/01/2006) Rosa Clement