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Tsunami de Palavras

Nem sempre posso deter as palavras.
Então deixo-as rolar papel abaixo,
preencher espaços virgens.
Longe de mim pastoreá-las.
Prefiro-as com a rebeldia
de cem cavalos selvagens
sempre em debandadas
ou com a graça dos gansos
em vôos quase alinhados.
Porém, preciso de óculos
para espantá-las dos defiladeiros
ou vê-las nos céus da primavera.
Mas tantas são suas formas,
perfeitas e poderosas,
prontas para laçar horizontes
que as perco de vista.
Impotente, apenas as observo,
desejosa de fazer delas
meu profícuo tsunami escrito.

  

Seção de Poemas, © (02/10/2005) Rosa Clement