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A Lua

Hoje a lua está mais fina que nunca.
Daria um bom graveto para um ninho,
ou uma tiara de flamejante prata
para alguma deusa do Olimpo.
Toda essa magreza se deve
às suas voltas pelo mundo.
Viajar é bom, mexer com os mares
por onde se passa, revolver águas,
flutuar pelos cais, descobrir.
Acontece que a lua tem muitas pátrias
e todo porto lhe serve de casa.
Assim como quem volta de viagem
quer rever tudo, acender luzes,
abrir janelas e desfazer bagagens,
também quer ter descanso.
Porém, ela, quando chega tão cheia de si,
tem tudo para ser um amuleto
e fica a espantar trevas e solidão.

  

Seção de Poemas, © (08/10/2005) Rosa Clement