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Igarapé Antigo

Esse pequeno rio que viu
passar a minha infância
em suas águas de cristal,
mudou de rumo.
Passou a sustentar palafitas,
encher garrafas e latas atiradas
que lhes davam relevos sombrios.
Por fim, passado à limpo,
resurgiu numa versão domada,
sem poderes cristalinos,
sem o movimento apurado
das ondas originais,
com águas que passam o tempo
exercitando correntes
agora livres de detritos.
É rio que já não é tão rio
e eu também, quando passo por ele,
já não sorrio.

  

Seção de Poemas, © (13/08/2007) Rosa Clement