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Hoje

Das janelas abertas para os dias
respiro simplesmente o hoje
e fico conquistada, cercada por ele.
Urge-me penetrar na sua brancura,
reconstituir sua passageira existência.
Corro para abrir gavetas esquecidas,
rever textos inacabados,
sentir o sabor de pêssego na língua,
passar pelas roupas no varal
e confundir perfumes silvestres.
Mas também descanso
sempre atenta ao vento de hoje
que, gentil, balança os galhos verdes.
Confiro a leveza de seus caminhos
já que meus pés levam apenas o sol.
Suponho que tenho o controle de hoje,
pois ainda estou impregnada dele,
e expirá-lo pode dispersar essa ilusão.

  

Seção de Poemas, © (31/12/2005) Rosa Clement