Feiras de Cinzas
Eram manhãs de carnaval
que traziam ecos de um doce refrão.
Pessoas fantasiadas
enchiam de glamour as palavras,
e, de feitiço, os gestos.
O ar ganhava estampa de confetes.
O brilho vinha dos sorrisos
dos autênticos brincantes.
Ao batuque dos tambores media-se
a brevidade da companhia.
O bloco crescente passava
e os elos refaziam a distância.
Então tudo acabava.
Tiravam-se as máscaras
e no final de uma certa avenida
desfaziam-se as alegorias.
Uma música cuidava das lembranças
para a dança das cinzas.