poemas poemas

Simples Amor

Amor sedimentado traz apelos mais simples.
Fala de morangos e melões sob a noite longa;
de política, corrupção, saúde e futebol
em frente a uma penca de orquídeas,
ou rodelas de cebolas.
Um certo silêncio não precisa ser quebrado,
e meias palavras são inteiramente compreendidas
com ou sem cadência de um vento morno.
A telepatia faz rir ou calar ao se revelar,
seja no abrir de uma garrafa de vinho
ou de um vidro de remédio.
Da convivência com árvores antigas
adquire o hábito de soberania e serenidade.
Todo esse investimento
precisa apenas de muitos anos,
da chama olímpica dos deuses,
levada pelas mãos de um e de outro.
É quando o amor vira uma rocha enorme e maciça
no caminho do desencontro.

  

Seção de Poemas, © (09/06/05) Rosa Clement