literatura literatura

A Participação da Mulher na Poesia do Amazonas(1)

Rosa Clement

INTRODUÇÃO

A história da literatura amazonense tem sido amplamente comentada por vários autores envolvidos com a cultura do Amazonas (CARPHENTIER, 2002) e nela, a predominância masculina de seus escritores, tanto na poesia, como na prosa, é incontestável. Porém, o legado literário de nossas escritoras, mais especificamente nossas poetas, não tem merecido ainda um capítulo. Por ser um tema pouco difundido na literatura amazonense, consideramos oportuno pesquisar sobre a poesia escrita por mulheres amazonenses, e questionar sua pouca visibilidade no ambiente literário, mesmo depois de suas conquistas em outros campos mundo a fora. Sendo assim, o objetivo desse estudo é enfocar a participação da mulher na poesia ao longo da história literária do Amazonas, tendo como embasamento a vida social e política de cada época.

Não pretendemos aqui proclamar a superioridade da mulher na literatura, mas sim usar a própria literatura, em especial a amazonense, para mostrar o quanto a poesia da mulher ainda está no lado mais baixo da balança em termos de produção, se a compararmos à poesia do homem. O patriarcado poético, tanto no Amazonas, como no Brasil e no mundo, é uma realidade histórica no decorrer dos séculos. A luta da mulher por seu espaço no campo profissional, incluindo o literário, é milenar e tem sido amplamente comentada por escritores, sociólogos, educadores e diversos outros profissionais envolvidos com essa temática. O papel de esposa e mãe, definido desde a origem do homem e imposto pela sociedade, tem sido uma espécie de selo invísivel que a mulher leva estampado na testa desde sua primeira existência, mas que com o passar dos anos vai também desbotando.

Ainda no Século XIX, a vida da mulher permanecia estática e limitada às agulhas, panelas, lençóis e leite materno, devido às pressões políticas, econômicas e sociais. À medida que esse conjunto pressionador se modificava no decorrer da história, a mulher conquistava seu espaço e trazia para seu universo os livros e a escrita, sempre disposta a enfrentar os desafios e inserir seu nome na historiografia de sua época, mesmo que ainda timidamente.

É importante definir aqui algumas palavras-chaves. Na "Antologia poética da mulher amazonense", Du Silvan (1984), define "mulher amazonense" como aquela que é “filha de nossa terra (seja de nascimento ou de coração)”. A terra a que se refere o autor é o Estado do Amazonas; portanto, trata-se da mulher nascida no Amazonas ou que possui afinidade com esse Estado, e que praticou ou pratica a arte poética. O termo "poeta" é definido no dicionário Aurélio (1986) como "qualquer indivíduo que faz versos”. Usamos aqui "poeta" em detrimento de "poetisa", considerando que a mulher que escreve poemas pertence a esse conjunto. O termo "poesia amazonense" se refere ao conjunto de poemas escritos e publicados por poetas locais durante os períodos literários passados e atuais amplamente discutidos em obras de estudiosos da região, tais como Monteiro (1976, 1977), Souza (2003) e Tufic (1983).

A metodologia utilizada para realizar esse trabalho foi, principalmente, a de levantamento bibliográfico. Entrevistas com personalidades envolvidas com a cultura amazonense também estão incluídas. Informações adicionais obtidas de consultas a profissionais da área literária ou de Letras, feitas pessoalmente ou por meio eletrônico, foram usadas como reforço. Portanto, abrimos novamente as páginas da história antiga e contemporânea do Amazonas com o objetivo de inserir um capítulo sobre a mulher e a poesia.

_________________________
O presente trabalho tem como base a Monografia "A Trajetória da Mulher na Poesia Amazonense", elaborado e apresentado por Rosa Clement em colaboração com Patrícia Souza, Arlene Silva, Renata Tavares e Jaqueline Braga, alunas do curso de Letras de 2004, da UNIP, Campus Manaus. Este trabalho está sujeito a modificações.

Página da seção de Literatura do Amazonas
do site de Rosa Clement