As Poetas do Amazonas

Biografia

Violeta Branca

violeta.jpg - 19863 BytesA poeta Violeta Branca Menescal de Vasconcelos, ou simplesmente Violeta Branca, nasceu em Manaus, no dia 15 de setembro de 1915. Em 1935, aos 19 anos, publicou seu primeiro livro de poesia, Ritmos de Inquieta Alegria, obra com características modernistas, que mereceu uma apreciação entusiasmada do intelectual paulista Rodrigo Octávio e boa acolhida por parte da crítica, pelo lirismo e vivacidade no tratamento dos temas. Esse livro foi relançado em 1998 com a coleção Resgate, pela editora Valer. Dois anos depois, Violeta casa-se e muda-se para o Rio de Janeiro mas continua publicando seus poemas na revista amazonense A Selva, nos anos 37-38, dirigida por Clóvis Barbosa (1904-1989), destacado intelectual da época. Estranhamente, somente após 47 anos, em 1982, publicou Reencontros - Poemas de Ontem e de Hoje, seu segundo e último livro.

O reconhecimento do talento precoce de Violeta Branca fez dela a primeira mulher a entrar para uma Academia de Letras no país. Assim, em 14 de abril de 1937, Violeta Branca passa a fazer parte da Academia Amazonense de Letras ocupando a cadeira 28, anteriormente ocupada pelos poetas Raimundo Monteiro, Hugo Bellard e Américo Antony, e que teve como patrono o poeta Annibal Theóphilo (DINIZ, 2002). Durante muitos anos, Violeta representou a AAL na Federação das Academias de Letras do Brasil, no Rio de Janeiro, onde residia.

A obra Ritmos de Inquieta Alegria reúne poemas "de uma alma ainda adolescente" (A Crítica, 11/10/2000), mas cheia de surpresas. Além do universo amazônico e seus mistérios, a sensualidade, um tema ousado para a mulher da época, também está presente na poesia de Violeta Branca, o que causou certo impacto no meio literário amazonense. Fragmentos respectivos de Tankas de Minha Terra e Volúpia ilustram essas temáticas:

"Eu quisera ter os braços muito longos,
mais longos que as palmeiras esguias destas zonas,
maiores que as cobras grandes,
maiores, até, que os rios"



"O beijo que deste no meu pulso
cobriu de angústia
a forma imaterial dos meus sentidos.
Não percebeste o latejar das veias
ao contato de teus lábios,
e nem advinhaste
que foi o prazer que me fez silenciar..."

Violeta Branca morreu no dia 07 de outubro de 2000, deixando três filhas e um filho, três netos e um bisneto, todos homens. A Academia Amazonense de Letras prestou uma homenagem especial de tributo à memória da poeta em sessão solene no dia 16 de dezembro de 2000, que teve como palestrante o acadêmico Newton Sabbá Guimarães. De vez em quando o nome de Violeta é lembrado pela importante contribuição que ela deixou no meio literário amazonense.