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As Academias de Letras do Amazonas

Rosa Clement

O Amazonas é um exemplo de que um estado pode ter mais de uma Academia de Letras, uma entidade literária que reúne a nata intelectual de uma cidade ou país para promover sua cultura e literatura. Assim a nossa comunidade letrada se distribui em duas: a exclusiva Academia Amazonense de Letras - AAL, e a mais abrangente Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas - ALCEAR. Pertencer a uma delas é dar o primeiro passo para a imortalidade literária. Portanto, o Amazonas teria a honra de abrigar em seu solo 80 imortais, se todas as cadeiras dessas Academias fossem preenchidas. Mas quais seriam as diferenças e privilégios de pertencer a uma ou a outra Academia?

Buscando encontrar essas diferenças percebemos que, de fato, são as semelhanças que estão mais em evidência. Em 1918, um grupo de amigos intelectuais locais reuniram-se para fundar a Sociedade dos Homens de Letras, posteriormente a Academia Amazonense de Letras. Oitenta e cinco anos depois nasce a ALCEAR, sob os mesmos moldes. Porém essa segunda Academia sugere ter sido criada com a intenção de preencher uma lacuna que reconhecesse o mérito de profissionais de outras áreas que não fosse apenas a literária.

Os objetivos tanto da AAL como da ALCEAR são similares. De acordo com seus estatutos, a finalidade de ambas é congregar intelectuais das áreas de interesse para o cultivo das letras e a difusão da cultura local. Assim, ambas as Academias promovem cursos, concursos, palestras e eventos onde o público pode se envolver para conhecer a história de cada uma das Academias e de seus respectivos acadêmicos.

Esses acadêmicos, conhecidos também como “imortais”, são pessoas que se destacam na história e na vida literária do Amazonas, sendo alguns desses nomes mais proeminentes que outros. A maioria dos imortais da AAL é poeta, mas há aqueles que são mais conhecidos por sua atuação política, ou por serem educadores e historiadores. A ALCEAR, por sua vez, possui um número de imortais mais bem distribuído entre poetas, historiadores, prosadores, cientistas, ensaístas, educadores, artistas plásticos e jornalistas. Sendo esses os ideais mais visíveis, as similaridades acabam por ai.

Enquanto a AAL começou com um patriarcado que quase conseguiu manter até os dias de hoje, a ALCEAR iniciou de forma menos exclusiva. De seus 29 acadêmicos, as mulheres ocupam sete cadeiras, enquanto que na AAL apenas quatro mulheres têm mantido presença ao longo dos 85 anos de existência dessa Academia. Entre estas, podemos citar a poeta amazonense Violeta Branca, a primeira mulher a quebrar a resistência da tradição masculina de uma Academia de Letras no Brasil.

Será que essa duplicidade de Academias literárias denota uma falta de afinidades entre os nossos imortais? É possível que sim. Seja como for, ser um imortal de uma dessas Academia de Letras é a maior conquista que um intelectual amazonense pode realizar. Mas assim como um gato e suas sete vidas, a imortalidade poderá ainda ser mais reforçada quando o nosso letrado chegar a Academia Brasileira de Letras. Conquistar o Nobel de Literatura, então, é garantir pelo menos mais cem anos de imortalidade. Independentemente da Academia a que pertencem, quando será que um de nossos imortais nos dará esse orgulho?

Bibliografia:

Academia Amazonense de Letras de Ciências e Artes - ALCEAR.
DINIZ, Almir. Acadêmicos Imortais do Amazonas - Dicionário Biográfico. Manaus: Editora Uirapuru, 2002.

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do site de Rosa Clement