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É Junho!

É tempo de santos. Um estalo de foguete aqui, outro ali, as propagandas na televisão, os trajes típicos mais reduzidos, e o jeito de arrumar as fogueiras que o anunciam têm hoje traços mais modernos. Mas junho não perdeu seu encanto nem a boa vontade de homenagear os nossos Santo Antonio, São João e São Pedro. Os foguetes, as comidas e danças típicas, as adivinhações, as fogueiras, as músicas das sanfonas, se juntam num brinquedo que se reconstrói de forma artesenal em minha mente.

Éramos mesmo molecas e moleques. Lembro bem que estourar bombinhas era uma diversão ímpar para nós e um susto constante para os mais velhos e para as criancinhas. Mas éramos bons meninos e para reduzir o barulho, fazíamos um montinho de terra, plantávamos o palito do foguete ali e o cobríamos com uma lata velha. O estampido era bonito e a lata pulava levando nossos risos soltos pelas alturas. Outra foguete antigo e econômico fazíamos nós mesmos. Confiscávamos um bombril de nossas mães, o amarrávamos em um cordão não muito longo e tocávamos fogo no bombril. Nota 10! Mil estrelinhas explodiam no ar desenhando um céu bem próximo de nós. Talvez até nossos santos arregalavam os olhos!

Outra lembrança genial vem das danças típicas. Seu Galdêncio, um respeitável senhor de cabelos brancos, compleição magra, reunia os jovens da vila e da vizinhança para ensaiar o cacetinho, a quadrilha e outras danças do boi. Lembro bem do Pai Francisco, da Catirina, e dos passos antigos, que os de hoje ainda tentam repetir. Era um ritual muito apreciado por adultos e pela criançada. No quintal largo de seu Galdêncio, havia a fogueira, as comidas sobre as mesas, tudo preparado para a hora tão esperada da dança.

A comida completava a delícia daqueles momentos. Canjica, pamonha, munguzá, bolo de milho, banana frita, tudo feito com muito amor por nossas mães, tias, avós para saborearmos sentados juntos em um banco longo e rústico. Ora ficávamos calados, ora, cantávamos. O som da sanfona alegre requebrando nas mãos dos sanfoneiros tão hábeis convidava as meninas para estender em leques suas saias ou simplesmente dançar em pulos ritmados ao redor da fogueira. Eram dias mornos, os dias de junho. Mas agora é hora de sair e procurar um arraial para provar um munguzá.

Seção de Crônicas, © 2006 Rosa Clement (18/07/06)