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Gente Grossa

Nesse momento, compreendo que ser "gente fina", isto é, gente educada e que respeita outra, está se tornando um privilégio. Deve ser devido aos transbordamentos de "gente grossa" nas ruas da cidade. É, a cidade está transbordando de gente e nela facilmente se destacam aquelas mal educadas. Elas pensam que são estrelas e enchem-se de pontas, e aí não se encaixam nessa caótica paisagem urbana que um dia já foi um céu.

A gente grossa está por todos os caminhos, especialmente na fila infinita do trânsito. "Antigamente" era apenas a hora do "rush" mas agora é "rush" a toda hora, e enquanto a gente "fina" enlata-se na fila, a grossa ultrapassa com ares de cometa, dirigindo luxuosos ou simplórios carros, para furar lá na frente, ignorando àqueles que esperam sua vez para entrar nos viadutos ou outros caminhos. Essa gente furona pensa que é mais inteligente, mais especial. Não é. É gente que quer ter direitos na base do menor esforço e rouba o espaço de outros, para se sentir esperta. Nessas horas, me sinto impotente por não possuir um método instantâneo para puní-la.

Bem que a cidade tenta ainda ser uma casa para todos, mas atualmente precisa ser varrida dessa gente obtusa. Essa é a mesma gente que estaciona como se seu carro fosse o astro da noite, o único no bloco, que pode ser deixado em qualquer lugar, mesmo que impeça a saída de outras pessoas que estacionam corretamente. Infelizmente, o céu do mundo todo está cheio dessas anti-estrelas que insistem em querer ser admiradas por tamanha falta de brilho.

Página integrante da seção de Crônicas
© 2004 Rosa Clement