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Morando no Exterior

Morar no exterior é uma experiência única. Quando você se desloca de uma cidade como Manaus, para uma ilha como o Havaí, sua vida pode começar a girar por causa do choque cultural. Quando você chega no Havaí, você é recebido em uma língua que você nunca ouviu falar. Faixas enormes dizendo "ALOHA" são exibidas em todo o aeroporto e em toda a ilha. É parte da língua havaiana que passará a fazer parte de sua vida, junto com os deuses e deusas, praias, coqueiros, shoppings e limusines.

Depois de se familiarizar com a cidade, seus pensamentos podem voar de volta para casa de vez em quando. Você sente falta do seu agora distante lugar aconchegante, sua comida, sua gente e seus sorrisos. No entanto, você entende que tem que superar essas dificuldades e desfrutar de sua nova vida. Você aprende o que for necessário para substituir as suas demandas, com as coisas que estão disponíveis para você. Sua farinha pode ser substituída por tortillas, uma vez que no Havaí, além de pessoas da Ásia, há muitos mexicanos também, o seu peixe tambaqui é substituído por ahi ou mahi-mahi, o seu samba brasileiro por uma suave canção havaiana. Você sente saudade de seu país, com certeza, mas logo você vai conseguir um emprego (você deve ter um greencard) e a vida começa a remontar-se como se fosse um conhecido quebra-cabeça.

Depois de viver no Havaí por alguns anos, você começa a amá-lo e, como muitos outros, você o chama de paraíso. Até então, você já aprendeu muitas palavras havaianas, pidgin-English (uma espécie de inglês quebrado, falado por crianças e havaianos), o sabor delicioso de Kailua-pig, o som de um Eukuleli e assim por diante. No entanto, é hora de voltar para o seu país, porque alguma lei se opõe a seus desejos. Você odeia a ideia de voltar, de ter que enfrentar o trânsito caótico, a falta de tecnologia funcional, as pessoas mal educadas. Felizmente, você não se tornou um verdadeiro americano ainda, mas seu coração pode se sentir perdido entre o fascínio pelas facilidades e ordem do primeiro mundo e a calorosa música de sua verdadeira casa.

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© 2004 Rosa Clement (18/07/04)