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Era Uma Vez Um Brasil

Quando leio nos jornais ou vejo na televisão notícias sobre corrupção envolvendo políticos ou ricaços, uma certeza eu tenho: ninguém será punido e nada vai mudar. Não adianta o estardalhaço feito ao redor de cada caso, de que a polícia vai prender ou prendeu os acusados, de que esses serão julgados, de que estão ou estarão na cadeia. Penso logo: não por muitas horas, nada vai acontecer com eles, vão sair ilesos e ainda vão se vangloriar disfarçados de vítimas. Vão negar descadaradamente qualquer evidência e tudo será esquecido como acontece em 99% das vezes. Um novo escândalo virá para apagar a lembrança do velho. Assim, a história de corrupção no Brasil nada mais é do que um clichê, já que não temos nada de novo para dizer. No entanto, precisamos nos repetir sempre para mostrar nossa indignação usando as ferramentas a nosso alcance. A solução seria a cadeia, mas não temos cadeias para bandidos de paletó e, portanto, não temos esperanças.

O mais impressionante de tudo é a facilidade com que os políticos corruptos fecham os olhos para os próprios erros, os quais são bastante graves. Em suas campanhas exibicionistas e demagogas se dizem os políticos da mudança, que eles sãos os honestos, que com eles o Brasil vai melhorar, tudo vai ser um canto de honestidade, de serviços prestados a sociedade, que só eles são competentes para fazer mudanças, e os demais políticos são os corruptos (felizmente alguns se salvam). Assim, a história se repete ano após ano, pois a maioria dos brasileiros sempre acredita, vota, elege o mesmo inescrupoloso para que este reine com altos salários e mordomias fazendo o mínimo ou até declarando que está "se lixando" por quem o colocou no poder.

Quando acusados de corrupção provada e clara, esses "homens públicos" contratam advogados a preço do nosso pescoço para defendê-los e provar uma "inocência" que eles não possuem. No entanto, seus crimes só não são mais evidentes porque estes não se solidificam em pedras e transformam os lugares por onde eles passam em paisagem estéril e rochosa. Enganar o povo até onde for possível e sempre é o lema deles, tudo para manter os enormes benefícios recebidos, altos salários, viagens, casas, carros, tudo de graça para produzirem pouquissimo. Gostaria muito de saber se eles ainda se candidatariam para seus cargos se recebessem benefícios estritamente associados as necessidades de suas tarefas e salários menores. Certamente só aceitariam tal posição os que fossem verdadeiramente brasileiros e quisessem realmente ajudar o Brasil a ser um Brasil do futuro.

Por outro lado, penso que antes de ocuparem o status de "representantes do povo", eles faziam parte do próprio povo. Então fico me perguntando, será que nós, que somos o povo, mostraríamos o mesmo comportamento se ocupássemos cargos políticos ou ficássemos ricos de repente? Ou será que estamos apenas atirando a primeira pedra antes de cometer o pecado? Seja como for, é preciso acreditar que a chama da honestidade é eterna. É preciso não achar natural o comportamento deprimente dessa classe de infratores. É preciso não deixar acontecer, e não votar nos mesmos de sempre. Infelizmente desconhecemos o poder de nos unir em massa, apenas protestamos em pequenos grupos, quase que murmurando, já que uma minoria dos brasileiros não é ouvida tanto quanto se fosse um Brasil inteiro repetindo o cantado grito retumbante. Mesmo que jornais denunciem tantas barbaridades em forma de notícias, crônicas, e outras modalidades, há os simpatizantes dos curruptos, ninguém realmente se alarma, e eles continuam impunes, voltam para falar de honestidade, de calúnia, em seus papéis de santos e o Brasil vai ficando com seus filhos cada vez mais fugindo da luta.

Página integrante da seção de Crônicas
© 2009 Rosa Clement (09/07/09)