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A Linda Mangueira

Rosa Clement, © 2015

De longe, a imensa mangueira exibia o tom rosado de seus frutos. Parecia dizer: "Vejam como são lindos meus frutos e são também doces e suculentos. Ninguém pode tirá-los de mim". Quem entendia bem essas palavras de orgulho maternal era Maria, uma garotinha de sete anos que passava por ali todos os dias para ir a escola. Então Maria pedia:

-- Deixa cair uma manga,
ó dona linda mangueira!
Se não eu vou lá pegar
e não é só brincadeira!

Mas a mangueira que pertencia ao quintal de uma velha senhora ranzinza, só balançava seus galhos, mantendo seguros os seus frutos, deixando Maria com maior vontade de pegá-los. Ela então resolveu escalar a cerca de madeira do quintal para subir na mangueira e pegar com as próprias mãos, uma manga que finalmente seria sua! Quem passava e via Maria subindo na cerca, dizia:

-- Tenha cuidado menina,
com a dona do quintal.
Se você passar da cerca,
você pode se dar mal.

-- Dizem que é bem malvada
e não gosta de criança.
Passa o tempo vigiando
as mangas que não alcança.

Mas Maria estava disposta a conseguir seu objetivo e agilmente pulou para dentro do quintal do qual não tinha uma saída fácil. Quando Maria caminhava em direção à mangueira, ouviu uma voz rouca e forte, gritando:

-- Ah, então você, moleca,
não aprendeu a lição:
Na nossa casa só entra
quem tem autorização.

-- Não mexa nas minhas mangas
e saia daqui agora.
Use o mesmo caminho
para poder ir embora.

A senhora até escutou Maria, que pedia desculpas e corria em direção à cerca tentando se ver livre da situação em que havia se metido.

-- Peço desculpas senhora,
sei bem que não é correto.
Foi tudo culpa das mangas
que me queriam por perto.

Posso subir e pegar
algumas para lhe dar
Talvez a senhora possa,
quem sabe, me perdoar.

Mas com a senhora rabugenta não tinha conversa e ela respondeu:

-- Não preciso de você
para ter mais mangas não.
Quando as quero comer,
espero cair no chão.

Mas Maria nem escutava mais a senhora. Subiu novamente na cerca e pulou fora dela, se estabanando no chão. Aprendendo a lição, Maria foi embora dali bem depressa e nunca mais quis pensar naquelas mangas. Ela se perguntava se aquela senhora alguma vez foi simpática com alguém. Agora quando ela queria comer manga ela cantava:

Hoje fiquei mais feliz
com as mangas bem rosadas,
presente do meu avô
que já ganho descascadas.